DANIEL FAGUS KAIROZ
O dourado entrou no meu trabalho como um raio
desde 2010 se impôs nas minhas obras
enquanto cor-limite
cor-luz
não o ouro mas o dourado
- deixemos o ouro nas profundezas da terra -
sem ignorar q o dourado invoque o ouro
mas repito - deixemos o ouro no profundo da terra
em 2010 em um trecho do filme-rio
o qual considero minha primeira pintura
procurando o amarelo de van gogh em meio ao rio
o dourado aconteceu
desde 2011 começaram a aparecer no meu caminho inúmeros e pequenos objetos dourados
muitos deles levava comigo
outros apenas fotografava
VENDO OURO
tornou-se uma verdadeira obsessão fotografar aparições douradas em meio ao cotidiano
- diz-se o óbvio luxo lixo do augusto e mais -
uma alquimia das banalidades do mundo
encontrar o sol de cada coisa
densas matérias recobertas por uma fina película dourada
a matéria quer ser luz
como em um acelerador de partículas ou no maracá do pajé
velocidade limite q abre portais para outros mundos
através do dourado
divinisar nosso denso mundo
profundas limpezas do q há de mais etéreo no denso
bio
portfólio
dourado
de 2011 a 2013 trabalhei em um poema
cujos versos
materiais dos mais diversos cobertos de dourado
ou também desses objetos do nosso mundo industrial dourados já
metrificados conforme a arquitetura
uma expansão multidimensional do espaço através da infinita reverberação luminosa
em 2013 um poema sonoro dourado
também de limpeza para arquiteturas
uma busca por um som dourado
- golden noise -
a partir de uma estrutura composta por massas sonoras e silêncios
em conversa com os versos de ouro de pitágoras
a partir daí são inúmeros os trabalhos
as experimentações os caminhos
quadrados dourados contrapondo a noite do mundo sem objetivos nem objetos de Malevich
A VITÓRIA DO SOL
evocando a divina e humilde força do ícone frente ao suprematismo
evocações da luz
invocações na matéria
fazendo da matéria portal
através do dourado pude retomar meu caminho espiritual
através da minha prática artística
minha fé e minha força