DANIEL FAGUS KAIROZ
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corpo
Cada corpo é em si uma coreografia um convite à dança a uma específica e única dança e é justamente essa dança q me interessa pois é através dela q podemos nos encontrar

todo corpo é antes de tudo coletivo através do corpo nos diferenciamos mas também nos reconhecemos uns nos outros ao mesmo tempo

quando penso corpo penso não apenas matérias densas como ossos músculos tendões tecidos líquidos cartilagens gordura mas também desejos emoções sentimentos pensamentos intuições sonhos tudo isso perfaz também o corpo

talvez o equívoco do estruturalismo tenha sido colocar a língua antes e à parte do corpo ter colocado a língua como estrutura do mundo pois o corpo q nos abre ao mundo a língua vem depois para dar um limite um pouco mais restrito mas o corpo talvez seja nossa estrutura primeira coreografia q nos convida a dançar através da vida nesse sentido o perspectivismo proposto pelo viveiros seja mais rico e generoso para entendermos nosso ser estar no mundo num vínculo ontológico com a terra

no corpo humano ressoam muitos outros corpos
corpos de árvores serpentes aves macacos peixes fungos flores ouriços cavalos onças nuvens

através do corpo podemos acessar os movimentos de um cem número de outros seres

no corpo humano podemos ver a própria estrutura do cosmos

o corpo uma coreocosmografia

dançar nos coloca em comunhão com tudo o q existe dentro do grandioso limite entre o céu e a terra

corpo é uma coreografia e ao mesmo tempo está sempre sendo coreografado uma coreografia sempre se fazendo

o corpo é uma estrutura bastante plástica está sempre se fazendo e desfazendo num mesmo e único gesto sem repouso mesmo quando aos olhos nus aparente estar parado

a pausa é dos mais potentes movimentos do corpo